Codato aponta desigualdade entre candidatos no processo eleitoral

Dando prosseguimento ao seminário As Eleitas, Os Eleitos, o vereador Sebastião Melo (PMDB) abriu os trabalhos lembrando que o tema desta terça-feira (6/9) foi De onde vem os representantes do Brasil?. De acordo com o professor da Universidade Federal do Paraná, Adriano Codato, nas disputas eleitorais proporcionais – em que o número total de candidatos é muito maior que o número de vagas -, os concorrentes por partido podem chegar ao dobro de vagas, e as organizações partidárias apresentam dificuldades em conseguir distribuir recursos de campanha a todos participantes. Na sua opinião, a legislação eleitoral no Brasil, em campanhas proporcionais com partidos não coligados, pode apresentar até uma vez e meia o número de vagas em disputa por distrito eleitoral.
Codato lembrou que o número de concorrentes a cargos proporcionais tornou-se
grande nas últimas eleições. O professor lembrou que, nas eleições de 2010, foram registrados 4878 candidaturas a deputado federal, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por partidos políticos de todos os estados brasileiros. Este número representa 9,5 candidatos por vaga na Câmara Federal, considerando um país como um todo e não as diferenças de tamanho dos distritos eleitorais. Isso ocorre por um tipo de organização dos partidos, seja porque dão mais atenção para as eleições majoritárias ou porque os recursos financeiros são limitados.
Conforme Codato, as candidaturas já começam com o processo eleitoral em desigualdade de condições. Isto, afirmou, não se dá apenas em relação às fontes e montantes de recursos financeiros, pois as próprias características de origem dos candidatos impõem diferenças. Existem também os que ocupam cargos nomeados no aparato estatal ou os que fazem parte da estrutura  partidária.
Outro fato, segundo Codato, é o uso que o candidato busca para criar e difundir uma imagem pública. Em democracias universais de sociedades complexas como a nossa, diz ele, a intermediação dos meios de comunicação nas relações de representação política torna-se indispensável. É a partir da mídia, afirmou, que a elite política consegue apresentar-se às massas eleitorais, criando um discurso e imagem que pretende ser a mais adequada aos eleitores. Também é possível criar imagens públicas estereotipadas, tais como a de representante de determinada cultura étnica de sua região. “São estes estudos e afirmações que podem ajudar a formular estratégias para conectar e propor conceitos de alcance para colaborar na pesquisa”, argumentou.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa CMPA
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Professor chileno afirma que país vive crise de representação

A segunda palestra desta terça-feira (6/9), no Seminário Internacional As Eleitas, Os Eleitos, realizada no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre, foi do professor Robert Funk, da Universidad de Chile. Funk é Mestre em Ciências Políticas. Publicou recentemente a obra A política como profissão. Funk afirmou que existe no Chile uma crise de representação, onde cresce a elitização política, com baixa representatividade das mulheres e dos jovens. Observou que o atual presidente, Sebastian Piñera, foi eleito m 2010 por uma coalizão de dois partidos de direita, que não se comprometeu a grandes mudanças políticas.

Citou o slogan de governo que destaca a nova forma de governar, mas que dá ênfase a dar continuidade, melhorando e com mais profissionalismo e de ataque à corrupção. Funk observou que um dos problemas enfrentados é que a administração pública tem a sua burocracia, que torna os processos lentos.
Além disso, apontou recentes manifestações de ambientalistas contrários a um projeto de hidroelétrica. Destacou que também tem havido protestos por parte de estudantes que reivindicam melhor educação pública, tendo havido, inclusive, um confronto violento no dia 4 de agosto. Relatou que, nessa mesma data, a população, com grande representatividade da classe média, foi às ruas às 21 horas para um panelaço. Também tem havido manifestações na área da diversidade sexual.


Biografia

Funk falou de um estudo biográfico sobre os deputados chilenos, que mostram um crescente número de candidatos com curso universitário, embora seja crescente o número de universidades privadas, o que de certa forma demonstra a ascensão política das classes de maior poder econômico. Sobre o perfil dos deputados, disse que os advogados mantêm a dominação política, mas em menor nível do que anteriormente.
Informou que tem aumentado o número de candidatos vindos do meio artístico e de cientistas políticos. Ressaltou que a representatividade das mulheres no Congresso nacional chileno é muito baixa, ficando entre 18% e 20%. Observou que a história partidária está com menor peso, valendo mais o candidato ser uma pessoa conhecida, pois será recrutada por algum partido. Funk lembrou ainda que em relação à crise de representação um fato bem concreto é a que o Chile é um país de jovens, mas os cargos públicos estão preenchidos, em sua maioria, por pessoas acima de 60 anos.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa CMPA
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Serna destaca a composição dos partidos uruguaios

Partidos políticos do Uruguai em debate durante seminário

O Seminário Internacional As Eleitas, Os Eleitos prosseguiu nesta terça-feira (6/9),  no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre, com a palestra proferida pelo professor Miguel Serna Forcheri, da Universidad de La Republica, do Uruguai. Serna é doutor em Ciências Políticas Comparada e Integração Latino-americana, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Falou sobre Partidos e Carreiras políticas na América Latina, dando ênfase à composição dos partidos uruguaios.

Forcheri observou que nos últimos dez anos houve a ascensão da esquerda, que em 2005, através de uma coalizão, chegou ao poder. Ao mesmo tempo, destacou que as elites começam a se profissionalizar, mas que não gostam de ser assim denominadas. Lembrou que o Uruguai tem uma forte tradição democrática, sendo que os dois partidos mais tradicionais, o Colorado e o Nacional, têm origem no século 19. Mesmo assim, admite que há grupos que ainda têm dificuldades de alcançar o poder.
Composição
Sobre a Frente Ampla, disse que é composta, em grande parte por trabalhadores, sindicalistas e das entidades de direitos humanos. Já o Partido Nacional é composto, fundamentalmente por funcionários públicos, produtores rurais e empresários, enquanto que o Partido Colorado é composto, principalmente, por profissionais da área jurídica. Informou que os grêmios estudantis têm sido nos últimos anos fonte para as formações partidárias do Uruguai.
Observou que a distância entre as siglas partidárias não são muito grandes e que o Congresso tem forte presença dos partidos Colorado e Nacional. Sobre a questão de gênero, disse que tem havido avanços, mas ainda com bastante limitação. Informou que, apesar de o país ter tradição laica, não conseguiu aprovar a lei sobre o aborto, e que em relação à diversidade sexual, “é cedo para dizer se haverá avanços”. Afirmou que o país passa por um crescimento econômico, mas que a capacidade de redistribuição de renda ainda é limitada. Disse que uma das questões em discussão no Uruguai é em relação à qualidade da educação pública e de políticas para evitar a evasão escolar.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa da CMPS
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Participação de filiados em escolha de candidatos é pequena no país

A professora Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UfSCar), do estado de São Paulo, apresentou hoje (6/9), em sua palestra no Seminário As Eleitas, Os Eleitos, estudo que realizou sobre a forma como os partidos políticos brasileiros fazem a seleção de seus candidatos. Baseada em dados coletados com 120 candidatos a deputado federal em 2010, a professora mostrou que partidos de direita, como o DEM, centram suas escolhas em indicações de lideranças partidárias, enquanto siglas de esquerda, como o PT, priorizam escolhas feitas por representantes delegados. “67% dos candidatos são selecionados ou por indicação de lideranças partidárias ou por delegados. A participação direta de filiados é muito pequena”, aponta o estudo.

O estudo apresentado por Socorro, realizado em parceria com o doutorando em Ciência Política pela UfSCar Bruno Bolognesi, também avaliou a percepção dos próprios candidatos sobre o processo de escolha de candidaturas. Conforme o levantamento, 63% disseram que consideram o processo democrático. “Outro dado que chama a atenção é que há alto nível de informalidade nos processos de escolha dos candidatos”, observou Bolognesi.

O levantamento feito por Socorro e Bolognesi traça um paralelo entre os dois maiores partidos de direita (DEM) e esquerda (PT). “O dado que mais chama a atenção, na direita (DEM), é o peso negativo na indicação de filiados, que é muito baixa na comparação com a indicação de líder, que é elevada.” No caso do PT, mostra o estudo, predomina o voto dos delegados do partido, com baixo índice de escolha por líder partidário.

O trabalho realizado pelos pesquisadores da UfSCar também apontou o PT como partido cujos candidatos têm maior tempo de filiação à sigla. “Existe, de fato, estabelecimento de lealdades ao partido mais nos partidos de esquerda e de centro”, afirmou Bolognesi. Para o doutorando, quanto mais partidária é a lealdade, mais institucional tende a ser o comportamento do candidato eleito, que vai valorizar mais o voto em ideias do que em opiniões pessoais.”

Além dos dados apresentados no estudo, a professora Socorro Braga salientou que é preciso entender um pouco o sistema partidário do Brasil. “Há dois processos de escolha de candidatos no país, um formal, baseado nas legislações partidária e eleitoral, e outro informal, com critérios estabelecidos pelas próprias siglas. “Os partidos brasileiros são entidades privadas e têm donos. São organizações particulares que querem chegar ao poder via voto.”

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Sawicki aborda as relações partidárias na sociedade em rede

O Seminário Internacional As Eleitas, Os Eleitos prosseguiu nesta segunda-feira (5/9) à noite, no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre, com a palestra proferida pelo cientista político e professor francês Frederic Sawicki, da Université Paris I (Sorbonne). O painel foi coordenado pelo cientista político André Marenco, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já na abertura, Sawicki avisou que não se prenderia ao tema proposto: Como parlamentares se tornaram parlamentares. Disse que abordaria um tema teórico e ao mesmo tempo empírico para debater o papel das redes sociais na vida das organizações políticas, sindicais e de representação da sociedade. Segundo Sawicki, essa abordagem não pode levar em conta questões individuais, mas sim relacionando-se com o interesse coletivo, campo privilegiado para o estudo da ciência política. Numa comparação entre as formas de organização dos parlamentos, Sawicki lembrou que o parlamento norte-americano é formado por homens e mulheres detentores de fortunas, pois naquele país a política expressa poder econômico. Para o cientista político, é preciso superar o conceito de Max Weber, que define que apenas os notáveis e os detentores de propriedades individuais têm direito a ser organizarem politicamente com o objetivo de chegar ao poder. De acordo com Sawicki, a questão central é como os partidos políticos do presente escolhem os seus candidatos a representantes e o modo como essa organização atrai ou recruta. Deve-se considerar, segundo ele, o meio imediato da pessoa. Algumas pessoas, diz ele, levam vantagem por conta de suas origens familiares, relações de amizade e até de vizinhança. Por conta dessa premissa ocorre uma desigualdade. “Essa é a questão que me interessa: por quais canais as organizações militantes entram em contato com a sociedade.”, observou o cientista político. O seu entendimento de rede é que esse é simplesmente um meio para um partido político buscar relacionamento com o seu meio social, pois uma organização não pode ser tratada como entidade fechada, mas sim pela sua relação com a sociedade e com aquelas pessoas que construíram laços com sua estrutura. “Por isso, lanço a proposta de estudo do conceito de meio partidário que está ligado às redes com as quais ele dialoga”. Sawicki afirmou que, nos Estados Unidos e na Europa, esse tema é debatido no contexto histórico da militância, das relações políticas dos partidos com sindicatos e organizações de representação estudantil, por exemplo. Militantismo Por conta dessa proposta, Sawicki considera importante valorizar o “militantismo” que traduz a forma como as pessoas se engajam pessoalmente nas agremiações partidárias. E como agem para se tornarem integrantes das mesmas. “Se nós queremos compreender essas questões, é preciso recuperar as motivações dessas pessoas para ingressar na atividade política”, salientou. Sawicki avisou que é “muito complicado” atuar na esquerda se o indivíduo saiu de uma família com estrutura ideológica de direita, pois ele enfrenta uma convivência difícil e de hostilidade. Nesse caso, se essa pessoa não receber apoio de amigos e de colegas de partido, encontrará dificuldades para permanecer nesses partido. No caso da França, uma saída foi a permissão para que os indivíduos formalizassem sua adesão ao Partido Socialista, por intermédio de cadastro via internet, por onde ainda poderiam efetuar doações. Mesmo assim, muitas dessas pessoas abandonaram a atividade porque não se sentiram acolhidas e ficaram isoladas da convivência grupal. Desse modo, diz Sawicki, a integração e o engajamento são questões complicadas. Nem todos que ingressam num partido permanecem nele de maneira perene. Na opinião de Sawicki, no Brasil a forma de adesão é um pouco diferente. As pessoas ingressam nas agremiações por conhecimento prévio e estimuladas por relações pessoais. “É importante compreender como uma organização partidária está ancorada em seu meio. Um partido muito ligado às igrejas não contribui necessariamente para a entrada dos membros dessa religião na organização política”, porque questões religiosas podem ser superadas pelos interesses sindicais das pessoas. Sawicki explicou que, na França, o sindicalismo é muito importante para a estrutura do Partido Socialista. Já os partidos de direita ganham adesão em escolas de relações comerciais. “Mas o partido político transcende a política. Pode ser um partido de uma rede de muçulmanos, de católicos ou de outros grupos de interesse”, defendeu. Seminário O Seminário As eleitas. Os Eleitos integra o projeto do Legislativo municipal da Capital Gestão 2011: Transformando Leis em Direitos em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A programação foi desenvolvida visando apresentar experiências de instituições de referência no debate sobre papel de um parlamentar. A lista de palestrantes do seminário também inclui a presença de John Carey – Darthmouth College (EUA), Robert Funk (Universidad de Chile) e Miguel Serna (Universidad de La Republica – Uruguai), Socorro Braga (UFSCar). O evento também marcará o 238º aniversário da Câmara Municipal, comemorado em 6 de setembro, e conta com o apoio da Associação Brasileira de Ciência Política, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Ufrgs e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Todas as conferências têm tradução simultânea, e a entrada é franca. Mais informações em: http://oseleitos.camarapoa.rs.gov.br

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Celeste lembra que verear significa zelar pelo bem público

A vereadora Maria Celeste (PT) propôs uma reflexão sobre o papel dos parlamentares em sua palestra no seminário As Eleitas, Os Eleitos, ocorrida na tarde desta segunda-feira (5/8), dentro do painel O que faz um vereador no Brasil. “A serviço de quem os vereadores e os parlamentares têm de estar?”, indagou, lembrando que verear significa “zelar pelo bem público”, ou seja, trabalhar com ética e respeitando a dignidade e os direitos da população.

Para Celeste, o parlamento deve ser um espaço designado para o debate de conflitos, mas também para a defesa da comunidade nesses conflitos. Segundo ela, as funções parlamentares são desempenhadas de forma mais direta pelos vereadores, que vivem o cotidiano das cidades para as quais precisam fazer proposições. “O vereador é o que está mais próximo da população, diferentemente dos deputados”, disse. De acordo com Celeste, nesse trabalho, é fundamental saber a serviço de que está o mandato do vereador.

Fiscalizar e legislar

A vereadora definiu em três as principais funções do vereador: fiscalização, legislação e  representação (ou contribuição para a transformação social). Segundo Celeste, fiscalizar passa pela mediação de conflitos de interesses dentro das cidades e pode incluir a realização de audiências públicas, comissões parlamentares de inquérito e envio de pedidos de informação ao Executivo. Citou o caso do reassentamento da Vila Dique, acompanhado de perto pela Câmara. Nessa questão, atestou, há interesses distintos: da comunidade, que quer saber para onde vai; da prefeitura, que precisa retirar as famílias de uma área de risco e levar para outra; e da Infraero, que pretende ampliar a pista do aeroporto. Nesse caso, conforme Celeste, é dever da Câmara mediar os interesses de forma a garantir direitos e moradia digna às famílias.

Dentro da tarefa de fiscalizar, segundo Celeste, é de fundamental importância também os vereadores cuidarem da execução orçamentária da cidade. A vereadora lembrou que o Orçamento anual, assim como o Plano Plurianual, são minuciosamente analisados pela Câmara dentro da Comissão de Economia, Finanças e do Mercosul (Cefor) e em plenário.
Ao legislar, o vereador exerce suas atribuições propositivas, informou Celeste. Apresenta e vota projetos para a cidade e emendas que visam a melhorar propostas do Legislativo e do Executivo. Essa produção, na sua opinião, precisa levar em conta a defesa de direitos e necessidades da população, sempre observando a justiça social e cidadania. Nesse item, conforme Celeste, há ainda a criação de frentes, de comissões especiais e audiências públicas.

Representação

A função de representação dos vereadores, conforme Celeste, é exercida quando os parlamentares auxiliam a população a auto-organizar-se para defender suas demandas. Celeste citou como ferramentas de representação o Orçamento Participativo e a criação de fóruns de entidade (como ocorreu na análise do Plano Diretor). “O vereador deve fomentar a participação, não para que haja atrelamento político, mas para que as pessoas possam reivindicar o atendimento a seus direitos”, disse.

Para Celeste, em suas tarefas cotidianas o grande desafio dos vereadores é enfrentar o paternalismo, o assistencialismo, o favorecimento e as relações políticas dúbias e desrespeitosas. A vereadora ainda citou avanços ocorridos na Câmara, como a criação da Escola do Legislativo, que promove a capacitação de funcionários e estagiários, a instalação de um telecentro, a redução do recesso parlamentar e da realização de homenagens e a retirada dos projetos de nomes de ruas da Ordem do Dia. Agora, conforme lembrou, essas propostas passam somente pelas comissões permanentes.

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Minoria dos vereadores está em Câmaras organizadas, diz historiadora

Na abertura do painel O que faz um vereador no Brasil?, segunda atividade do Seminário Internacional As Eleitas, Os Eleitos –  Como parlamentares tornam-se parlamentares, a professora Maria Izabel Noll, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), palestrou hoje (5/9) à tarde na Câmara Municipal Porto Alegre. Mediado pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), o painel contou ainda com a participação da vereadora Maria Celeste (PT).

Maria Izabel destacou que há cerca de três anos realiza trabalho sobre as Câmaras Municipais e os vereadores nas capitais brasileiras e fez um levantamento histórico sobre essas instituições. Segundo ela, as Câmaras Municipais atravessaram, na história do Brasil, diversos períodos em que sofreram alterações devido à contingência de fatos políticos.

“Elas recebem atenção intensa nos primeiros anos de colonização do Brasil”, lembrou, ao ressaltar que nos períodos seguintes da história sofreram esvaziamento no seu poder, mas não significa que desapareceram, conforme a professora. “As Câmaras não tiveram grande valor político, mas não saíram do jogo político. Elas continuaram tendo papel de articulação política e do voto, importante na política local”, pondera Maria Izabel.
 
Mudanças

Para a professora, formada em História pela UFRGS, a situação das Câmaras muda a partir de 1988, em razão da entrada em vigência da nova Constituição Federal, pela tentativa de descentralização por aqueles que articularam os mecanismos institucionais. Isto, para Maria Izabel, ocorre de forma clara na concessão de ente federativo aos municípios e, por consequência, das Câmaras Municipais. “Elas se revestiram de importância e, ao mesmo tempo, o Município se torna um elo forte sobre as políticas públicas, como saúde e educação”, registra.

Entretanto, Maria Izabel enfatiza que, mesmo com o empoderamento dos vereadores, o estreitamento das relações com a União não ocorreu em função da mediação dos parlamentares e, sim, devido à articulação do município pela atuação do prefeito.

Competição

Ao apresentar dados sobre os Legislativos municipais, a professora da UFRGS destacou a forte competição eleitoral em eleições para vereador, com alto número de candidatos por vaga – muito superior, por exemplo, ao de prefeitos. Destacou, entre os dados, uma baixa taxa de mulheres: 12,5%.

Outro dados em relação aos vereadores é que a grande maioria (93%) dos quase 50 mil parlamentares brasileiros estão localizados em pequenos municípios. “Apenas 7% estão em Casas que têm visibilidade e acesso à imprensa. É uma minoria que está em Câmaras organizadas”, pondera Maria Izabel.

Fragmentação

Maria Izabel disse ainda que, de acordo com os dados do IBGE, vem ocorrendo uma “fragmentação” partidária nas Câmaras, com a eleição de um maior número de partidos a cada legislatura. Citou o crescimento do número de partidos ocorrido em Porto Alegre e em São Paulo, mas foi Fortaleza, entre as capitais estudadas, que apresentou maior crescimento – de 16 para 22 partidos representados. “Os partidos têm, no máximo, dois ou três vereadores. As Câmaras estão ampliando o espectro partidário”, enfatizou.

A professora ainda citou os afazeres de um vereador de acordo com a Constituição Federal de 1988, como a criação da Lei Orgânica do Município, votações de subsídios, fiscalização, legislação e complemento de legislações estaduais e federais. “Tudo isso é importante, mas depende da relação que se estabelece entre a Câmara e a prefeitura, pois existe uma tendência do Poder Executivo ser o poder central dessa relação. As Câmaras podem ter autonomia, mas para isso precisam de condições que só ela pode gerar”, finalizou.

Maria Isabel Noll

Possui graduação em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestrado em Ciência Política pela mesma instituição e doutorado em Ciência Política pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris. Foi visiting scolar no Center for Latin American Studies na Universidade de Stanford. Professora adjunta da UFRGS no Departamento de Ciência Política, dirige o Núcleo de Pesquisa e Documentação da Política Rio-Grandense (Nupergs) e coordena o Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS. Tem trabalhos na área de Ciência Política, com ênfase em Estudos Eleitorais e Partidos Políticos, atuando, principalmente, nos seguintes temas: partidos políticos, democracia, eleições, poder legislativo e elites.

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Professora explica vantagens de homens sobre mulheres em eleições

Durante o seminário internacional As Eleitas, os Eleitos, na manhã desta segunda-feira (5/09), a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em sociologia, Clara Araújo, explicou e apresentou alguns dados que justificam as vantagens que os homens ainda possuem em relação às mulheres no sistema político brasileiro. De acordo com Clara, as explicações se baseiam majoritariamente no caráter multidimensional das condições sociais, culturais, econômicas, institucionais e históricas da formação da sociedade brasileira.

“As mulheres em geral se elegem menos que os homens e, no Brasil, isto está muito evidente. O gênero recorta os aspectos que envolvem a representação política e pública”, disse, reafirmando que durante décadas as mulheres sofreram a negação de seus direitos políticos. “Só a partir de 1994 é que o Brasil foi garantir, por exemplo, as cotas para que as mulheres pudessem ser representadas nos seus partidos. Hoje, cerca de 30% das candidaturas partidárias devem ser destinadas às mulheres”, explicou.

Conforme argumentou Clara, existem estudos que comprovam que investimentos em ações afirmativas e igualitárias de gênero ajudam as mulheres a ocuparem mais espaços na esfera pública e na política.
 
Legislativo
 
No Brasil, cerca de 70% da população votou em mulheres para presidente da República no ano passado, mas isso não se refletiu nas eleições parlamentares. Segundo a professora, nos Legislativos em geral, os homens ainda dominam o sistema. Segundo dados de 2010, na Câmara dos Deputados, as mulheres representam cerca de 19% das candidaturas. “Houve uma evolução desde 1994, quando as mulheres representavam apenas 6% das candidaturas”, afirmou.

Para Clara, no entanto, os homens eleitos representam número quase duas vezes maior que o de mulheres. A exceção à regra, conforme estudos feitos por ela, é o Senado Federal, onde as mulheres têm mais sucesso em relação ao universo de candidaturas. “Pois lá estão os perfis femininos mais consolidados dos partidos e que possuem uma taxa de competitividade muito elevada”.

Resistência familiar

Entre as razões que explicam a menor presença das mulheres nas candidaturas partidárias está a resistência familiar em aceitar a entrada da figura feminina nas eleições. “A família pode operar tanto como estímulo para ingresso das pessoas na política quanto para impedir sua presença”, explicou Clara. Segundo a professora, cerca de 38% das mulheres sofrem resistência da família, sendo que 22% desse total dizem respeito a pressões advindas dos cônjuges. “Apenas 4% dos cônjuges resistem às candidaturas dos homens”, afirmou.

Cerca de 55% das mulheres candidatas disseram que a motivação para entrar na política se resume a um projeto pessoal, enquanto que 35% dos homens defendem isso. “A maioria dos homens justifica sua candidatura pela militância partidária. As mulheres possuem uma militância nas esferas políticas muito menor do que a dos homens. Os sindicatos, por exemplo, possuem traços majoritariamente masculinos”, afirmou, ao argumentar que as condições financeiras também são desvantajosas para as mulheres. “Os financiamentos de campanha são conseguidos de maneira mais eficaz por parte dos homens.”

De acordo com Clara, há um forte favorecimento dos homens, na política, justificado principalmente pelo fator histórico. ”As mulheres estão avançando e conquistando espaços públicos, mas é inegável a presença masculina forte e consolidada. Ainda é preciso avançar mais”, avaliou.

Fonte: Assessoria de Imprensa CMPA

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Participação das mulheres na política abre debates

O Seminário Internacional As Eleitas, Os Eleitos, realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre, se iniciou na manhã desta segunda-feira (5/9) no Plenário Otávio Rocha da Casa, com o tema Por que as mulheres (não) são eleitas. A abertura foi feita pela presidente da Casa, vereadora Sofia Cavedon (PT), que saudou os presentes e ressaltou a importância da iniciativa. “É uma satisfação termos feito essa parceria com a Ufrgs o que proporcionará a todos um debate sobre um tema cada vez mais presente nos dias de hoje, a participação das mulheres na política.”

O debate começou com a deputada federal Manuela D´Ávila (PCdoB), que provocou os participantes ao questionar: “Se as mulheres não são eleitas, como a presidente da República Dilma Roussef chegou à presidência do país? Teríamos que negar que o Brasil é presidido por uma mulher.”. Lembrou que, na última eleição majoritária, as duas candidatas à presidência, Dilma e Marina Silva, tiveram um grande contingente de votos e que, no Congresso, 8% dos parlamentares são mulheres.

Na opinião de Manuela, o sistema eleitoral vigente no país influencia na eleição de mulheres. “Grande parte é oriunda de relações familiares com políticos tradicionais”, considerou a deputada, informando que atualmente somente 4% das mulheres são eleitas com trajetórias absolutamente independentes. “A maioria é de esposas, filhas ou apadrinhadas por homens.”

Financiamento

A deputada disse ainda que o financiamento de campanhas também influencia na eleição feminina. “Os financiamentos das campanhas são construídos nas corporações sociais dirigidas majoritariamente por homens, o que, na minha opinião, influencia diretamente na condução das mulheres a cargos eletivos”, disse Manuela, enfatizando que o dinheiro vem das relações masculinas. Citou com exemplo que, ao se candidatar pela primeira vez, tinha apenas 22 anos. “Imaginem, vocês, uma mulher jovem pedindo dinheiro para campanha.”

Outro fator que influencia na eleição feminina, de acordo com a deputada, é o tempo destinado a propaganda na TV. “Quem define o tempo para candidatos são as direções partidárias, que são hegemonizadas por homens.” Ela ressaltou também que, na sua opinião, a política de cotas, assim como a reforma política, não resolvem esse problema. “Sobre esses assuntos, defendo que temos que fazer uma nova reflexão, pois há uma desigualdade de tratamento entre mulheres e homens.” A deputada considera que ainda vivemos numa sociedade machista. “Embora já se tenha um certo refinamento”, disse ela, enfatizando que, se as mulheres fossem mais presentes nas empresas e nos partidos políticos, com certeza o resultado seria diferente.

Também marcaram presença no encontro o diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, Temístocles Américo Corrêa Cezar, e o cientista político André Marenco. O Seminário, que vai até o dia 7, visa a refletir sobre a natureza do poder local e é uma promoção conjunta da Câmara Municipal e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O evento também servirá para marcar o 238º aniversário do Legislativo municipal, comemorado em 6 de setembro.

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Inscrições no balcão de credenciamento

A partir das 8h30 desta segunda-feira (5?9) as pessoas que ainda não efetuaram inscrição para o Seminário Internacional As Eleitas, Os Eleitos -  Como parlamentares tornam-se parlamentares podem se dirigir ao balcão de credenciamento do evento na Câmara de Vereadores, avenida Loureiro da Silva, 255.

 

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